Letra de «A Cidade SP»
A cidade Balas perdidas cortam seu céu A cidade Cruel como uma besta e doce como o mel, A cidade Injúria, luxúria e falsidade A cidade Desigual, imprevísivel imparcial A cidade Cheiro de morte, som de metal A cidade Desnaturada com seus filhos, com estranhos fraternal Aqui nunca da pra prever Sampa, São Paulo, SP
É tão difícil imaginar o seu início No princípio nada, hoje gigantescos edifícios Prédios altos que mudaram destinos Construídos por nordestinos Que não foram aceitos como inquilinos Placas de "construímos", placas de "admitimos" Será que vai chover, será que vai fazer calor Liga o rádio e vai ouvir que o trânsito congestionou Gente de tudo quanto é raça Muito asfalto na cidade e pouca praça Judeu, coreano, português, japonês e chinês Miscigenam a babilônia latino-americana junto com vocês Comércio árabe, italiano, norte-americano Negociam seus produtos Na grande metrópole do continente sul-americano Pouco vendemos muito compramos, pouco nos concedem Muito deixamos, tudo permitimos Há anos partimos do nosso continente Eu não nasci lá, mas eu o amo L-U-O afro-latino sul-americano Salve pros nigerianos do Centro Todos são manos e sabem que se parecem por dentro Só que aqui nessa cidade todos têm preconceito
A cidade Balas perdidas cortam seu céu A cidade Cruel como uma besta e doce como o mel, A cidade Injúria, luxúria e falsidade A cidade Desigual, imprevísivel imparcial A cidade Cheiro de morte, som de metal A cidade Desnaturada com seus filhos, com estranhos fraternal Aqui nunca da pra prever Sampa, São Paulo, SP
Cidade de São Paulo, cada vez mais acinzentada Por prédios já quase toda tomada Ruas, calçadas, viadutos largos Servindo de morada pra aquelas vítimas da miséria malvada Hey, você aí, pense bem se quer vir morar aqui Pela TV pode parecer um paraíso Mas chegando vem junto também o seu prejuízo Terá que ser forte, nem um pouco vulneravél Ou a pressão da "city" te fará se arrepender E aí pode ser muito tarde pra você Grande e agitada, de faces diversificadas Avenidas movimentadas, como a Paulista Uma das mais frequentadas, nela há restaurantes finos Lojas luxuosas, playboys desfilando em carrões importados E a minutos dali existem barracos amontoados Onde a diversão existe, mas é bem diferente Crianças jogando bola descalços nas ruas de terra Esgoto a céu aberto do lado da favela, isso é moh goela. Todos aqui carregam seqüelas de uma guerra Como é que eu vou conviver com ameaça terrorista do PCC Você não vê, mas tem fuzil apontado pra você Ouço sirenes, quem será dentro daquela ambulância Se o hospital fosse bom, eu teria mais esperança Cidade, tantos times e seus patrocinadores Anestesiam e aliviam dores De palmeirenses, santistas, são paulinos, corinthianos E assim nós vamos...
A cidade Balas perdidas cortam seu céu A cidade Cruel como uma besta e doce como o mel, A cidade Injúria, luxúria e falsidade A cidade Desigual, imprevísivel imparcial A cidade Cheiro de morte, som de metal A cidade Desnaturada com seus filhos, com estranhos fraternal Aqui nunca da pra prever Sampa, São Paulo, SP

